Confesso que torci o nariz quando soube que haveria um quarto capítulo da franquia "Pânico". Talvez por achar que ela já havia perdido o fôlego no seu último episódio e que o roteirista Kevin Williamson já tinha se esgostado ao errar a mão em se aventurar por outros suspenses adolescentes. Mas como na vida nada é impossível, o quarto capítulo se renovou ao trazer uma trama, que 10 anos depois do último filme, mostrou um roteiro voltado para a nova geração. O enredo é o mesmo, o elenco também. Sidney(Neve Campbel) agora é uma escritora famosa, assim como Gale Waethers(Courtney Cox) que criou uma saga de livros baseada nos massacres dos filmes anteriores e casada com Dewey(David Arquette) há uma década. Quando um incidente envolve que Jill, prima de Sidney(Emma Roberts), todos os veterenos voltam à ativa. De início vemos o bom e velho humor de metalinguagem, do qual o roteiro brinca zombando da sua própria condição de ser uma continuação que precisa superar os anteriores. Em suma, Pânico 4 torna-se eficiente ao trazer uma trama que na sua resolução mostra uma força de vontade admirável tentar ao entender as novas tendências que criam uma verossimilhança com o cenário atual dos serial killers que cada vez mais mostram-se atraídos por uma espetacularizaçao da violência do que pelo próprio desejo de matar. Algo que desmistifica muitos dos clichês criados nos filmes de terror, inclusive aquele que traz a heroína sobrevivente como o único foco do assassino, como uma versão sádica de Tom e Jerry já explorada a exaustão. Uma diversão que para a minha alegria, no final de sua projeção não soa descerebrada.
João Carlos.
