
É bem provável que filmes com enredos que se passam num único ambiente tendem a ser claustrofóbicos, mas nada se compara a esse “Enterrado vivo”. Tal proposta já rendeu ótimos longas, como o excelente suspense independente “Cubo”. Dirigido pelo ótimo Rodrigo Cortés, o filme trata de um homem que, como o próprio título diz, é enterrado vivo e tenta lutar pela vida de todas as maneiras possíveis, porém essa façanha não depende só dele. Falar mais estragaria as surpresas do filme. Nas mãos de um diretor não muito habilidoso poderia resultar numa bomba, mas nas mãos de Cortés o filme torna-se um espetáculo que tem como maestro um roteiro bem amarrado que mantém a unidade dramática sem apelar para flashbacks ou para cenas externas, mantendo durante toda a projeção o foco no sofrimento do personagem de Ryan Reynolds. Algo que só é conseguido graças à ótima exposição de idéias através de diálogos bem construídos e da ótima composição de cena. Para manter o ritmo eletrizante do longa, o diretor optou por uma trilha sonora que dá ação às cenas e por uma câmera que vai muito além do espaço delimitado pelo roteiro. Ora vê-se um close-up no rosto de Ryan, ora a câmera aponta para um zoom out dando uma sensação de profundidade e agonia. Além da fotografia heterogênea que se constrói graças às inúmeras maneiras que o caixão é iluminado, alternando-se entre a luz de um celular, uma lâmpada fluorescente e uma lanterna. Uma verdadeira aula de como uma idéia aparentemente simples pode resultar num filme memorável.
nota: 9,0
Ótima crítica, pra variar! Pena que é impossível pra mim ver o filme, a claustro não deixa.
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